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Os Livros em Concertina no Japão e o ‘Conto de Genji’

A história dos livros japoneses em concertina, conhecidos como orihon, remonta ao período Heian (794–1185) e reflete a engenhosidade e a estética singulares da cultura nipónica. Diferente do formato codex, comum no Ocidente, o orihon é composto por longos rolos de papel dobrados em forma de acordeão, permitindo uma leitura contínua e fluida. Este formato era amplamente utilizado para textos budistas e literários, combinando funcionalidade e arte, já que frequentemente era adornado com ilustrações elaboradas e caligrafia meticulosa.

Um dos mais icónicos exemplos da literatura japonesa, o Genji Monogatari (O Conto de Genji), está intimamente ligado ao período Heian e à tradição do orihon. Escrito por Murasaki Shikibu, uma dama da corte, este romance é amplamente considerado o primeiro romance psicológico da história e um marco na literatura mundial. A narrativa acompanha a vida do Príncipe Genji, explorando temas de amor, perda e as complexidades das relações humanas, num estilo lírico e introspectivo.

As edições antigas do O Conto de Genji foram muitas vezes transcritas no formato orihon, especialmente aquelas destinadas às elites da corte. Estas edições eram verdadeiras obras de arte, com papel tingido em tons delicados, ilustrações pintadas à mão e uma encadernação que aliava simplicidade e requinte. O formato orihon permitia que o leitor experienciasse a história quase como um fluxo contínuo, mergulhando na narrativa sem interrupções.

Para além do orihon, O Conto de Genji influenciou outros formatos de livro no Japão, como o nara-ehon, que combinava ilustrações vívidas com texto. A disseminação desta obra ao longo dos séculos ajudou a moldar a tradição literária e artística do Japão, transformando-a num símbolo da riqueza cultural do país.

Hoje, os exemplares antigos de orihon e as edições históricas de O Conto de Genji são tesouros preservados em museus e colecções particulares, servindo como testemunho do refinamento cultural do Japão medieval. Para coleccionadores e apaixonados por livros antigos, explorar estas peças é como abrir uma janela para um mundo onde literatura, arte e espiritualidade se entrelaçam de forma sublime.

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